Eu sei que todos falam isso: "esse ano eu vou mudar!", e que na maioria dos casos essa grande mudança não acontece. Mas a verdade é que 2011 realmente será um ano de mudanças, mesmo que eu não queira e não faça nada para que elas aconteçam.
O ano teve apenas 1 semana e já ocorreu minha primeira grande mudança, o fim do meu namoro de quase 3 anos. E não, não estou fazendo um post triste sobre isso, mesmo porque não me sinto assim, estou fazendo apenas um post porque me deu vontade. A verdade é que eu vou ter que explicar esse fato pra muitas pessoas ainda e isso me dá uma preguiça enorme, então já deixo aqui para que algumas pessoas leiam e já saibam. Aproveitando a chance, quero dizer que estou bem. Chorei na hora, me senti um lixo, saí com amigas durante um dia inteiro, dormi fora, dei risada, fiquei feliz e agora decidi aproveitar esse ano que tem tudo para ser maravilhoso! E como eu estou? Bem, por incrível que pareça. Eu que sou dramática e costumo chorar a minha vida nesse tipo de situação, por enquanto estou muito bem. Pode ser que seja um momento inicial, mas o que importa é que eu estou me sentindo feliz, apesar da sensação estranha da ausência dele nos meus dias.
Além disso, 2011 será meu primeiro ano de faculdade. Seja em Campinas, em São Carlos, em Belo Horizonte, em Santos ou até mesmo aqui em São Paulo, definitivamente o fato de eu entrar na faculdade vai mudar alguma coisa. É um ano pra conhecer pessoas! O ano mal começou e eu já conheci muita gente.
Acho que estes dois fatos já servem de base suficiente para muitas mudanças e muitas novidades que podem aparecer por aí, não? Além disso eu me vejo mudando como pessoa, na minha maneira de agir - mas não de pensar.
Então, que 2011 continue com tudo, que as mudanças que ocorrerem sejam para melhor e para crescer!
PS.: Eu sinto que este post foi meio sem nexo - no sentido de não ser o tipo de coisa que eu publico aqui - mas por algum motivo eu preciso publicá-lo -talvez para digerir melhor os fatos - então lá vai ele!
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Cansada
Sabe quando sua cabeça está cansada de pensar? Quando tudo o que você quer é conseguir deitar um pouco, esquecer do mundo e deixar a cabeça esvaziar, sem ter que resolver nenhum problema e nem se preocupar com nada?
É assim que eu estou me sentindo hoje.
Eu sei que pra muita gente vai parecer besteira uma garota de 19 anos (AAAAAAAH) estar numa situação assim e que alguns vão pensar que "na sua idade não dá pra ter problemas sérios", mas eu não estou nem aí porque os meus problemas são sérios o suficiente pra mim e conseguem dar um nó na minha cabeça.
Mas para ficar mais fácil, digamos que o meu problema mesmo é me preocupar demais. Eu me preocupo com os outros, me preocupo comigo mesma, me preocupo com as coisas... Ando me preocupando muito mais que o normal ultimamente. Essa incerteza que anda a minha vida (e eu não estou falando só do meu futuro em termos de faculdade e moradia, estou falando de algumas coisas mais complicadas e pessoais), as coisas que andam acontecendo sem parar e me deixando confusa, as situações inéditas em que tenho me encontrado ao longo do ano, as mudanças nos últimos meses... Tudo isso está me deixando maluca.
Ter que resolver muitas coisas praticamente sozinha também não está sendo bom pra mim, já que eu sou uma pessoa bem dependente (e eu sei que isso é horrível, eu não me orgulho) e que detesta estar sozinha.
Mas ter que pensar em todas as questões de matrícula e de vestibular, ter que organizar minha vida pessoal sem poder falar com muita gente, passar o dia do meu aniversário inteiro sozinha (e não ter comemorado ele direito até agora), me comunicar com as pessoas mais virtualmente do que pessoalmente, pensar na apresentação de dança que está chegando... tudo isso meio que está acabando comigo, mas ninguém percebe. E isso acaba ainda mais comigo (o fato de ninguém perceber, quero dizer).
E tem horas (como agora) que eu só queria mesmo um abraço. Me cansa contar o que está errado principalmente quando eu não sei apontar exatamente o que está errado, então eu só precisava de um colo, um abraço, um carinho... Qualquer coisa confortante vinda de alguém que eu amo e que eu sei que se importa mesmo.
Mas o meu outro grande problema no momento é que eu me sinto mais sozinha do que nunca.
PS.: Família, sem preocupações, eu só estou um pouco cansada de tudo hoje, mas tenho certeza que vai passar. Eu só fiz esse post porque precisava desabafar de alguma forma.
É assim que eu estou me sentindo hoje.
Eu sei que pra muita gente vai parecer besteira uma garota de 19 anos (AAAAAAAH) estar numa situação assim e que alguns vão pensar que "na sua idade não dá pra ter problemas sérios", mas eu não estou nem aí porque os meus problemas são sérios o suficiente pra mim e conseguem dar um nó na minha cabeça.
Mas para ficar mais fácil, digamos que o meu problema mesmo é me preocupar demais. Eu me preocupo com os outros, me preocupo comigo mesma, me preocupo com as coisas... Ando me preocupando muito mais que o normal ultimamente. Essa incerteza que anda a minha vida (e eu não estou falando só do meu futuro em termos de faculdade e moradia, estou falando de algumas coisas mais complicadas e pessoais), as coisas que andam acontecendo sem parar e me deixando confusa, as situações inéditas em que tenho me encontrado ao longo do ano, as mudanças nos últimos meses... Tudo isso está me deixando maluca.
Ter que resolver muitas coisas praticamente sozinha também não está sendo bom pra mim, já que eu sou uma pessoa bem dependente (e eu sei que isso é horrível, eu não me orgulho) e que detesta estar sozinha.
Mas ter que pensar em todas as questões de matrícula e de vestibular, ter que organizar minha vida pessoal sem poder falar com muita gente, passar o dia do meu aniversário inteiro sozinha (e não ter comemorado ele direito até agora), me comunicar com as pessoas mais virtualmente do que pessoalmente, pensar na apresentação de dança que está chegando... tudo isso meio que está acabando comigo, mas ninguém percebe. E isso acaba ainda mais comigo (o fato de ninguém perceber, quero dizer).
E tem horas (como agora) que eu só queria mesmo um abraço. Me cansa contar o que está errado principalmente quando eu não sei apontar exatamente o que está errado, então eu só precisava de um colo, um abraço, um carinho... Qualquer coisa confortante vinda de alguém que eu amo e que eu sei que se importa mesmo.
Mas o meu outro grande problema no momento é que eu me sinto mais sozinha do que nunca.
PS.: Família, sem preocupações, eu só estou um pouco cansada de tudo hoje, mas tenho certeza que vai passar. Eu só fiz esse post porque precisava desabafar de alguma forma.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Sobre preconceitos
Considero totalmente adequado estabelecer uma relação entre o nazismo e os crimes homofóbicos que infelizmente continuam ocorrendo o tempo inteiro, o que deixa claro a minha visão radical sobre o assunto. A liberdade de credo, a liberdade sexual e a liberdade de expressão do indivíduo devem ser respeitadas acima de qualquer coisa, mas não é isso que acontece no mundo, de forma geral.
Dentro do contexto em que vivemos - em sociedade, eu digo -, precisamos estabelecer limites entre o nosso próprio direito à todas as liberdades e o direito do outro. Não podemos simplesmente nos manifestar de maneira ofensiva à outros indivíduos, tentando impor nosso modo de pensar sem pensar no resto. Todos têm o direito de ser contra determinada religião, por exemplo, mas ao manifestarmos nossas opiniões não podemos invadir o direito daqueles que crêem na tal religião e assim deve ser para qualquer outro tipo de preferência pessoal.
É inaceitável que nos dias atuais ainda tenhamos números tão altos de assassinatos e crimes movidos por preconceito e, agora, me refiro ainda mais especificamente aos crimes homofóbicos, pois este é um assunto que têm sido discutido nos últimos dias.
Não penso que todos sejam obrigados a entender as diversas opções sexuais, mas acho que todos devem saber aceitar e respeitar a diferença. O preconceito, seja ele qual for, é totalmente inaceitável. Num país com tanta diversidade étnica, religiosa e cultural como o Brasil, me choca muito ainda haver tanto preconceito, esse preconceito nojento enraizado nas nossas cabeças - sim, coloco esse plural aqui pra deixar claro que eu também posso ter meus preconceitos, por mais que seja totalmente contra isso e deteste -, que vai desde o preconceito racial, sexual, religioso e social até preconceitos que nem pensamos que existem (por exemplo o preconceito contra pessoas muito magras, que eu posso afirmar que existe SIM).
Mas o mais assustador de tudo é pensar que tem pessoas que agridem outras pessoas em função desse preconceito. Por mais que eu ache asqueroso e queira xingar um homofóbico, eu nunca vou fazer isso, nunca vou agredir fisicamente alguém só porque esta pessoa pensa de maneira diferente da minha ou vive de forma contrária às minhas convicções pessoais ou religiosas. Saber que homossexuais são agredidos e assassinados diariamente apenas por serem homossexuais, sem terem nem ao menos provocado alguma coisa, é totalmente assustador.
Pior do que isso, é ver que quando finalmente tomam uma atitude minimamente decente e tentam criminalizar oficialmente a homofobia, aparece alguém contrário a isso. Como alguém consegue se dizer claramente contra a Lei da Homofobia e ainda se orgulhar disso? E dizer que essa lei vai contra a liberdade de expressão? CONTRA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO? Desculpa, mas que liberdade é essa? De poder xingar gays na rua, chutá-los ou coisa pior? ISSO É LIBERDADE DE EXPRESSÃO? Ensinar nas aulas de religião que é pecado e que homossexuais são uma aberração... isso é liberdade de expressão?
Ninguém é obrigado a ser a favor da homossexualidade, mas todos precisam saber respeitar isso. É um absurdo o que vêm acontecendo e é um absurdo maior ainda a existência de pessoas a favor da homofobia ou do preconceito racial ou de qualquer outro.
Cada pessoa tem o direito de viver do jeito que lhe convém, de acreditar no que quiser e de expor suas opiniões, o que não pode é achar que a sua opinião é melhor do que as demais e que por isso você pode desrespeitar a opinião alheia.
Dentro do contexto em que vivemos - em sociedade, eu digo -, precisamos estabelecer limites entre o nosso próprio direito à todas as liberdades e o direito do outro. Não podemos simplesmente nos manifestar de maneira ofensiva à outros indivíduos, tentando impor nosso modo de pensar sem pensar no resto. Todos têm o direito de ser contra determinada religião, por exemplo, mas ao manifestarmos nossas opiniões não podemos invadir o direito daqueles que crêem na tal religião e assim deve ser para qualquer outro tipo de preferência pessoal.
É inaceitável que nos dias atuais ainda tenhamos números tão altos de assassinatos e crimes movidos por preconceito e, agora, me refiro ainda mais especificamente aos crimes homofóbicos, pois este é um assunto que têm sido discutido nos últimos dias.
Não penso que todos sejam obrigados a entender as diversas opções sexuais, mas acho que todos devem saber aceitar e respeitar a diferença. O preconceito, seja ele qual for, é totalmente inaceitável. Num país com tanta diversidade étnica, religiosa e cultural como o Brasil, me choca muito ainda haver tanto preconceito, esse preconceito nojento enraizado nas nossas cabeças - sim, coloco esse plural aqui pra deixar claro que eu também posso ter meus preconceitos, por mais que seja totalmente contra isso e deteste -, que vai desde o preconceito racial, sexual, religioso e social até preconceitos que nem pensamos que existem (por exemplo o preconceito contra pessoas muito magras, que eu posso afirmar que existe SIM).
Mas o mais assustador de tudo é pensar que tem pessoas que agridem outras pessoas em função desse preconceito. Por mais que eu ache asqueroso e queira xingar um homofóbico, eu nunca vou fazer isso, nunca vou agredir fisicamente alguém só porque esta pessoa pensa de maneira diferente da minha ou vive de forma contrária às minhas convicções pessoais ou religiosas. Saber que homossexuais são agredidos e assassinados diariamente apenas por serem homossexuais, sem terem nem ao menos provocado alguma coisa, é totalmente assustador.
Pior do que isso, é ver que quando finalmente tomam uma atitude minimamente decente e tentam criminalizar oficialmente a homofobia, aparece alguém contrário a isso. Como alguém consegue se dizer claramente contra a Lei da Homofobia e ainda se orgulhar disso? E dizer que essa lei vai contra a liberdade de expressão? CONTRA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO? Desculpa, mas que liberdade é essa? De poder xingar gays na rua, chutá-los ou coisa pior? ISSO É LIBERDADE DE EXPRESSÃO? Ensinar nas aulas de religião que é pecado e que homossexuais são uma aberração... isso é liberdade de expressão?
Ninguém é obrigado a ser a favor da homossexualidade, mas todos precisam saber respeitar isso. É um absurdo o que vêm acontecendo e é um absurdo maior ainda a existência de pessoas a favor da homofobia ou do preconceito racial ou de qualquer outro.
Cada pessoa tem o direito de viver do jeito que lhe convém, de acreditar no que quiser e de expor suas opiniões, o que não pode é achar que a sua opinião é melhor do que as demais e que por isso você pode desrespeitar a opinião alheia.
sábado, 13 de novembro de 2010
Você tem alfinete?
Texto publicado na última edição da Revista Oriente. Resolvi postá-lo aqui (com todos os créditos à revista e à autora, claro!) porque me diverti muito com ele, achei muito real e dei bastante risada. Pra quem não dança e não passou por isso, tentem imaginar a situação! hahahaha
Se você nasceu, assim como eu, nos anos 80, teve a grande oportunidade (apesar de nenhuma lembrança) de usar fraldas de pano, presas com alfinetes. Alfinetes pratas, douradinhos, com cabeças coloridas ou de plástico. Alguns com formatos divertidos como joaninhas, passarinhos, etc. Muito conveniente para nós, bebês, mas acredito que muitas mães alfinetaram seus preciosos dedinhos durante as trocas de fralda. Com o passar dos anos, as fraldas descartáveis ficaram mais populares e baratas, o que deu fim (parcialmente) às fraldinhas com alfinetes.
E como aqui na Terra se faz e se paga, uma hora sempre chega o TROCO! Você cresceu “virou mocinha” (quem viveu no interior, conhece bem esta expressão, a de “virar mocinha”), e começou a dançar! Na sua primeira apresentação, a roupa foi comprada e/ou emprestada, toda arrumadinha, limpinha! Você foi prová-la e sentiu-se uma belezura! Chegou então o dia do show! E vem alguém e te diz: “você já colocou alfinete?” e você faz cara de paisagem (sim, porque a gente não assusta com essa pergunta, a gente acha que foi engano... Por isso a cara de paisagem!).
“SIM, VOCÊ PRECISA COLOCAR ALFINETE PARA SEGURAR FIRME O CINTURÃO NA SAIA, CASO CONTRÁRIO, O CINTO SAI GIRANDO PARA UM LADO E VOCÊ PARA OUTRO!”
A cara de paisagem se torna de espanto e você, rapidamente, aplica dois alfinetes na parte interna do figurino, um na frente e outro atrás. Com o tempo, você aprimora os movimentos, a força física, e vai aumentando o número de alfinetes no cinturão: adiciona um a mais, em cada lateral do cinto, para que ele não levante voo durante as batidas laterais. A esta altura, você e os alfinetes já estão muito, mas muito íntimos.
Quando a apresentação se torna um show inteiro e você precisa manter o figurino em ordem e seguro por 60 minutos, o alfinete é promovido! Ele não só atua no cinturão, mas também reforçando o fecho da parte de cima do figurino, no busto.
Nesta fase do relacionamento, eles (os alfinetes) já possuem caixinha própria, somam um total de 20 (entre grandes e pequenos), e você compreende a importância da segurança numa vida a dois! Ele passa a ser indispensável e seus figurinos ficam visivelmente esburacados.
Os dedos? Ficam alfinetados!
São casos de distração, nervosismo, pressa ou simplesmente acaso! Quando você menos espera o dedo está com uma bolinha de sangue. Você chupa o sangue aparente (e agora, talvez lembre-se da mamãe), coloca um band-aid (ou não) e entra no palco feliz e contente!
O que é uma bolinha de sangue perto do “showzão” que você está prestes a fazer?
Escrito por Esmeralda na Revista Oriente.
http://www.orienteencantoemagia.com.br
Se você nasceu, assim como eu, nos anos 80, teve a grande oportunidade (apesar de nenhuma lembrança) de usar fraldas de pano, presas com alfinetes. Alfinetes pratas, douradinhos, com cabeças coloridas ou de plástico. Alguns com formatos divertidos como joaninhas, passarinhos, etc. Muito conveniente para nós, bebês, mas acredito que muitas mães alfinetaram seus preciosos dedinhos durante as trocas de fralda. Com o passar dos anos, as fraldas descartáveis ficaram mais populares e baratas, o que deu fim (parcialmente) às fraldinhas com alfinetes.
E como aqui na Terra se faz e se paga, uma hora sempre chega o TROCO! Você cresceu “virou mocinha” (quem viveu no interior, conhece bem esta expressão, a de “virar mocinha”), e começou a dançar! Na sua primeira apresentação, a roupa foi comprada e/ou emprestada, toda arrumadinha, limpinha! Você foi prová-la e sentiu-se uma belezura! Chegou então o dia do show! E vem alguém e te diz: “você já colocou alfinete?” e você faz cara de paisagem (sim, porque a gente não assusta com essa pergunta, a gente acha que foi engano... Por isso a cara de paisagem!).
“SIM, VOCÊ PRECISA COLOCAR ALFINETE PARA SEGURAR FIRME O CINTURÃO NA SAIA, CASO CONTRÁRIO, O CINTO SAI GIRANDO PARA UM LADO E VOCÊ PARA OUTRO!”
A cara de paisagem se torna de espanto e você, rapidamente, aplica dois alfinetes na parte interna do figurino, um na frente e outro atrás. Com o tempo, você aprimora os movimentos, a força física, e vai aumentando o número de alfinetes no cinturão: adiciona um a mais, em cada lateral do cinto, para que ele não levante voo durante as batidas laterais. A esta altura, você e os alfinetes já estão muito, mas muito íntimos.
Quando a apresentação se torna um show inteiro e você precisa manter o figurino em ordem e seguro por 60 minutos, o alfinete é promovido! Ele não só atua no cinturão, mas também reforçando o fecho da parte de cima do figurino, no busto.
Nesta fase do relacionamento, eles (os alfinetes) já possuem caixinha própria, somam um total de 20 (entre grandes e pequenos), e você compreende a importância da segurança numa vida a dois! Ele passa a ser indispensável e seus figurinos ficam visivelmente esburacados.
Os dedos? Ficam alfinetados!
São casos de distração, nervosismo, pressa ou simplesmente acaso! Quando você menos espera o dedo está com uma bolinha de sangue. Você chupa o sangue aparente (e agora, talvez lembre-se da mamãe), coloca um band-aid (ou não) e entra no palco feliz e contente!
O que é uma bolinha de sangue perto do “showzão” que você está prestes a fazer?
Escrito por Esmeralda na Revista Oriente.
http://www.orienteencantoemagia.com.br
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Halloween
Era halloween alguns muitos anos atrás e eu estava em casa recebendo algumas amigas pra uma festa temática. Ficamos horas nos vestindo, passando maquiagem, batom preto, lápis escuro e tudo a que tínhamos direito no quarto... Se não me engano até saímos para pedir alguns doces na rua, sem muito sucesso.
Eu tinha feito vários lanches e minhas amigas também levaram algumas coisas... Tinha poncho, tinha brownie com açúcar verde em cima, pão de forma cortado em formato de fantasma... Num determinado momento, alguém tocou a campainha e eu fui atender. Quando cheguei ao portão, levei um susto.
Eu morava num sobrado e o portão da garagem era o portão principal, automático (que já estava meio velho), que balançava só de encostar. Quando cheguei na garagem, tinha um vampiro enorme, com cabelos grisalhos compridos, sangue escorrendo pela boca, urrando e chacoalhando o portão querendo entrar. Eu juro que quase tive um troço! Entrei em pânico e fui me esconder no banheiro do quarto da empregada, lá nos fuuuundos da casa. Todas as minhas amigas foram atrás, também com medo, e ainda me lembro de uma retardadária que estava surtando do lado de fora quando todas já estávamos trancadas...
Eu sabia que era o meu pai, mas isso não diminuía o meu medo. Ele continuava atuando incrivelmente bem e eu não sei como foi que nos tiraram daquele banheiro, eu só me lembro de implorar pra minha mãe pedir para ele parar até que ele parou.
A fantasia era muito boa e meu pai é um homem alto e cabeludo, então a impressão era muito mais forte. Ele tinha feito maquiagem com um profissional e tinha comprado dentes afiados que pareciam dentes reais, não eram como essas dentaduras de plástico que entregam em festa infantil. Além disso tinha o sangue, que vinha numa bisnaga e ele espirrava na boca pra parecer que estava escorrendo... Realmente, estava medonho.
Agora não sei onde estão as fotos, mas assim que eu achar vou colocá-las aqui. Apesar de ser uma lembrança de criança, eu sei que ele realmente estava medonho. Mas no fim foi divertido e a história ficou marcada, aposto que ninguém que estava lá esqueceu disso até hoje...
Eu tinha feito vários lanches e minhas amigas também levaram algumas coisas... Tinha poncho, tinha brownie com açúcar verde em cima, pão de forma cortado em formato de fantasma... Num determinado momento, alguém tocou a campainha e eu fui atender. Quando cheguei ao portão, levei um susto.
Eu morava num sobrado e o portão da garagem era o portão principal, automático (que já estava meio velho), que balançava só de encostar. Quando cheguei na garagem, tinha um vampiro enorme, com cabelos grisalhos compridos, sangue escorrendo pela boca, urrando e chacoalhando o portão querendo entrar. Eu juro que quase tive um troço! Entrei em pânico e fui me esconder no banheiro do quarto da empregada, lá nos fuuuundos da casa. Todas as minhas amigas foram atrás, também com medo, e ainda me lembro de uma retardadária que estava surtando do lado de fora quando todas já estávamos trancadas...
Eu sabia que era o meu pai, mas isso não diminuía o meu medo. Ele continuava atuando incrivelmente bem e eu não sei como foi que nos tiraram daquele banheiro, eu só me lembro de implorar pra minha mãe pedir para ele parar até que ele parou.
A fantasia era muito boa e meu pai é um homem alto e cabeludo, então a impressão era muito mais forte. Ele tinha feito maquiagem com um profissional e tinha comprado dentes afiados que pareciam dentes reais, não eram como essas dentaduras de plástico que entregam em festa infantil. Além disso tinha o sangue, que vinha numa bisnaga e ele espirrava na boca pra parecer que estava escorrendo... Realmente, estava medonho.
Agora não sei onde estão as fotos, mas assim que eu achar vou colocá-las aqui. Apesar de ser uma lembrança de criança, eu sei que ele realmente estava medonho. Mas no fim foi divertido e a história ficou marcada, aposto que ninguém que estava lá esqueceu disso até hoje...
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Chegou a prima Vera!
Eu sempre tive uma mania estranha de ouvir as palavras e ficar imaginando de onde elas surgiram. Quando eu era criança, evidentemente isso era muito mais forte, hoje em dia já quase não me apego a isso, mas ainda me lembro.
Lembro especialmente de uma palavra que eu ficava pensando muito e que até hoje penso um pouco quando ouço: Primavera. Na minha mentalidade infantil, pensava: "Será que alguém tinha uma prima chamada Vera que nasceu nessa época do ano?", dentre muitas outras hipóteses, uma mais maluca do que a outra.
Hoje é o primeiro dia da primavera e me veio esta memória. É engraçado como as crianças se preocupam com coisas tão simples e que não deixam de ser interessantes por isso. Aliás eu acho o contrário: já me surpreendi diversas vezes ao ouvir algum questionamento ou teoria de uma criança e perceber que era uma coisa bem curiosa mesmo, principalmente na época que eu fazia mediação de leitura em creche e intervenção hospitalar.
Se pararmos pra pensar, as palavras são coisas engraçadas e lindas. Agora mesmo, há exatamente dez minutos, eu estava fazendo uma redação - treinando pro vestibular, como sempre... - e quando fui passar a limpo fiquei observando quão belas podem ser as palavras. E hoje também, no carro vindo pra casa - porque consegui uma carona da minha mãe maravilhosa na volta do cursinho! hahaha - estava conversando sobre política e discutindo sobre os candidatos e a tristeza que está essa eleição de 2010 quando eu disse: "É engraçado pensar que daqui há muitos e muitos anos vários jovens de cursinho vão estar bitolando tudo isso", me referindo à clara distinção que eu e muitas pessoas que eu conheço e converso veêm entre a escolha dos candidados e a classe social dos eleitores. Minha mãe, claro, perguntou o que era 'bitolando'. O que eu deveria responder? Eu nem sei se a palavra 'bitolar' existe, muito menos se eu posso conjugá-la dessa forma.
É muito legal quando surgem palavras novas que fazem todo o sentido do mundo. Às vezes elas nascem em uma conversa boba num barzinho tomando cerveja entre amigos ou então numa conversa de carro como foi essa de hoje. Isso porque as palavras são realmente instrumentos muito interessantes.
Antes de conseguir minha carona hoje - curioso que estou associando o texto inteiro com o meu dia, por pura coincidência (vai ver o assunto das palavras estava inerente ao meu dia e eu nem percebi) - eu estava no cursinho tirando dúvidas de física e depois fiquei esperando minha mãe lendo "Vidas Secas" (que recomendo a todos!), do Graciliano Ramos - livro do vestibular, claro. Neste livro diversas vezes o Fabiano, personagem principal, reflete sobre o seu jeito de ser, 'cabra', como ele diz. Ele e sua família mal se comunicam verbalmente e praticamente não se relacionam com outras pessoas, então não têm um vocabulário muito amplo e não sabem argumentar em situações que requerem um certo jogo de palavras, como na negociação do pagamento com o patrão, que rouba o dinheiro de Fabiano. A personagem sempre reflete sobre sinha Terta, que sabe usar bem as palavras e que ele acredita que não passaria pelas situações que ele passa por ter esta vantagem comunicativa.
Assim, eu fico pensando em como as palavras são importantes. A escolha lexical diz tanto sobre nossa formação, sobre nossa vida, nossas influências, nossas opiniões! Se pensarmos numa reportagem de revista, por exemplo, que diferença que uma ou duas palavras não podem fazer na interpretação dos fatos, não é?
Pois é... Hoje a primavera chegou para ma fazer refletir. Aliás, alguém já reparou que 'bigode' é uma palavra bem engraçada?
Esse texto não terá uma conclusão, ainda estou refletindo sobre o assunto....
Lembro especialmente de uma palavra que eu ficava pensando muito e que até hoje penso um pouco quando ouço: Primavera. Na minha mentalidade infantil, pensava: "Será que alguém tinha uma prima chamada Vera que nasceu nessa época do ano?", dentre muitas outras hipóteses, uma mais maluca do que a outra.
Hoje é o primeiro dia da primavera e me veio esta memória. É engraçado como as crianças se preocupam com coisas tão simples e que não deixam de ser interessantes por isso. Aliás eu acho o contrário: já me surpreendi diversas vezes ao ouvir algum questionamento ou teoria de uma criança e perceber que era uma coisa bem curiosa mesmo, principalmente na época que eu fazia mediação de leitura em creche e intervenção hospitalar.
Se pararmos pra pensar, as palavras são coisas engraçadas e lindas. Agora mesmo, há exatamente dez minutos, eu estava fazendo uma redação - treinando pro vestibular, como sempre... - e quando fui passar a limpo fiquei observando quão belas podem ser as palavras. E hoje também, no carro vindo pra casa - porque consegui uma carona da minha mãe maravilhosa na volta do cursinho! hahaha - estava conversando sobre política e discutindo sobre os candidatos e a tristeza que está essa eleição de 2010 quando eu disse: "É engraçado pensar que daqui há muitos e muitos anos vários jovens de cursinho vão estar bitolando tudo isso", me referindo à clara distinção que eu e muitas pessoas que eu conheço e converso veêm entre a escolha dos candidados e a classe social dos eleitores. Minha mãe, claro, perguntou o que era 'bitolando'. O que eu deveria responder? Eu nem sei se a palavra 'bitolar' existe, muito menos se eu posso conjugá-la dessa forma.
É muito legal quando surgem palavras novas que fazem todo o sentido do mundo. Às vezes elas nascem em uma conversa boba num barzinho tomando cerveja entre amigos ou então numa conversa de carro como foi essa de hoje. Isso porque as palavras são realmente instrumentos muito interessantes.
Antes de conseguir minha carona hoje - curioso que estou associando o texto inteiro com o meu dia, por pura coincidência (vai ver o assunto das palavras estava inerente ao meu dia e eu nem percebi) - eu estava no cursinho tirando dúvidas de física e depois fiquei esperando minha mãe lendo "Vidas Secas" (que recomendo a todos!), do Graciliano Ramos - livro do vestibular, claro. Neste livro diversas vezes o Fabiano, personagem principal, reflete sobre o seu jeito de ser, 'cabra', como ele diz. Ele e sua família mal se comunicam verbalmente e praticamente não se relacionam com outras pessoas, então não têm um vocabulário muito amplo e não sabem argumentar em situações que requerem um certo jogo de palavras, como na negociação do pagamento com o patrão, que rouba o dinheiro de Fabiano. A personagem sempre reflete sobre sinha Terta, que sabe usar bem as palavras e que ele acredita que não passaria pelas situações que ele passa por ter esta vantagem comunicativa.
Assim, eu fico pensando em como as palavras são importantes. A escolha lexical diz tanto sobre nossa formação, sobre nossa vida, nossas influências, nossas opiniões! Se pensarmos numa reportagem de revista, por exemplo, que diferença que uma ou duas palavras não podem fazer na interpretação dos fatos, não é?
Pois é... Hoje a primavera chegou para ma fazer refletir. Aliás, alguém já reparou que 'bigode' é uma palavra bem engraçada?
Esse texto não terá uma conclusão, ainda estou refletindo sobre o assunto....
Poema: O operário em construção - Vinícius de Moraes
Um longo poema de Vinícius de Moraes que lemos hoje em aula. Me tocou e tenho certeza que tocará quem ainda não o conhecia. Apesar de longo, podem confiar em mim, vale muito a pena a leitura! Lá vai...
E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. V, vs. 5-8.
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.
Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.
Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.
E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.
E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:
Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.
E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.
Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.
Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!
Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.
Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.
Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!
– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.
E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.
Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.
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