quinta-feira, 10 de março de 2011

Está provado

"Há pouco tempo li numa revista especializada que a neurociência, cada dia mais, tem classificado o amor, aquela paixão desenfreada de quem anda cego de amor e não sabe se é noite ou é dia, como vício. Bom vício, claro. Os cientistas descobriram que algumas regiões do cérebro são responsáveis por julgamentos sociais – se uma pessoa é confiável ou não, por exemplo – ficam menos ativas quando contemplam o objeto da sua idolatria, ou seja, a paixão.



[...]


Para a neurociência o amor de uma pessoa é talvez o melhor dos vícios: ‘algo do qual queremos mais, e sempre, e pelo qual fazemos tudo o que for preciso. Ele estimula o sistema de recompensa do cérebro, que nos traz prazer, bem –estar e felicidade - e nos faz querer mais de tudo isso com aquela pessoa. A expectativa do prazer de estar com ela é motivação suficiente para a procurarmos’."






Fonte: http://www.artigonal.com/cronicas-artigos/o-amor-e-vicio-mas-e-benigno-701748.html

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

RESÍDUO - Carlos Drummond de Andrade

De tudo ficou um pouco

Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco


Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).


Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
- vazio - de cigarros, ficou um pouco.


Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.


Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.


Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?


Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.


De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...


De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.


De tudo ficou um pouco.


E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.


Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

2011 - ano de mudanças

Eu sei que todos falam isso: "esse ano eu vou mudar!", e que na maioria dos casos essa grande mudança não acontece. Mas a verdade é que 2011 realmente será um ano de mudanças, mesmo que eu não queira e não faça nada para que elas aconteçam.
O ano teve apenas 1 semana e já ocorreu minha primeira grande mudança, o fim do meu namoro de quase 3 anos. E não, não estou fazendo um post triste sobre isso, mesmo porque não me sinto assim, estou fazendo apenas um post porque me deu vontade. A verdade é que eu vou ter que explicar esse fato pra muitas pessoas ainda e isso me dá uma preguiça enorme, então já deixo aqui para que algumas pessoas leiam e já saibam. Aproveitando a chance, quero dizer que estou bem. Chorei na hora, me senti um lixo, saí com amigas durante um dia inteiro, dormi fora, dei risada, fiquei feliz e agora decidi aproveitar esse ano que tem tudo para ser maravilhoso! E como eu estou? Bem, por incrível que pareça. Eu que sou dramática e costumo chorar a minha vida nesse tipo de situação, por enquanto estou muito bem. Pode ser que seja um momento inicial, mas o que importa é que eu estou me sentindo feliz, apesar da sensação estranha da ausência dele nos meus dias.
Além disso, 2011 será meu primeiro ano de faculdade. Seja em Campinas, em São Carlos, em Belo Horizonte, em Santos ou até mesmo aqui em São Paulo, definitivamente o fato de eu entrar na faculdade vai mudar alguma coisa. É um ano pra conhecer pessoas! O ano mal começou e eu já conheci muita gente.
Acho que estes dois fatos já servem de base suficiente para muitas mudanças e muitas novidades que podem aparecer por aí, não? Além disso eu me vejo mudando como pessoa, na minha maneira de agir - mas não de pensar.
Então, que 2011 continue com tudo, que as mudanças que ocorrerem sejam para melhor e para crescer!


PS.: Eu sinto que este post foi meio sem nexo - no sentido de não ser o tipo de coisa que eu publico aqui - mas por algum motivo eu preciso publicá-lo -talvez para digerir melhor os fatos - então lá vai ele!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Cansada

Sabe quando sua cabeça está cansada de pensar? Quando tudo o que você quer é conseguir deitar um pouco, esquecer do mundo e deixar a cabeça esvaziar, sem ter que resolver nenhum problema e nem se preocupar com nada?
É assim que eu estou me sentindo hoje.
Eu sei que pra muita gente vai parecer besteira uma garota de 19 anos (AAAAAAAH) estar numa situação assim e que alguns vão pensar que "na sua idade não dá pra ter problemas sérios", mas eu não estou nem aí porque os meus problemas são sérios o suficiente pra mim e conseguem dar um nó na minha cabeça.
Mas para ficar mais fácil, digamos que o meu problema mesmo é me preocupar demais. Eu me preocupo com os outros, me preocupo comigo mesma, me preocupo com as coisas... Ando me preocupando muito mais que o normal ultimamente. Essa incerteza que anda a minha vida (e eu não estou falando só do meu futuro em termos de faculdade e moradia, estou falando de algumas coisas mais complicadas e pessoais), as coisas que andam acontecendo sem parar e me deixando confusa, as situações inéditas em que tenho me encontrado ao longo do ano, as mudanças nos últimos meses... Tudo isso está me deixando maluca.
Ter que resolver muitas coisas praticamente sozinha também não está sendo bom pra mim, já que eu sou uma pessoa bem dependente (e eu sei que isso é horrível, eu não me orgulho) e que detesta estar sozinha.
Mas ter que pensar em todas as questões de matrícula e de vestibular, ter que organizar minha vida pessoal sem poder falar com muita gente, passar o dia do meu aniversário inteiro sozinha (e não ter comemorado ele direito até agora), me comunicar com as pessoas mais virtualmente do que pessoalmente, pensar na apresentação de dança que está chegando... tudo isso meio que está acabando comigo, mas ninguém percebe. E isso acaba ainda mais comigo (o fato de ninguém perceber, quero dizer).
E tem horas (como agora) que eu só queria mesmo um abraço. Me cansa contar o que está errado principalmente quando eu não sei apontar exatamente o que está errado, então eu só precisava de um colo, um abraço, um carinho... Qualquer coisa confortante vinda de alguém que eu amo e que eu sei que se importa mesmo.
Mas o meu outro grande problema no momento é que eu me sinto mais sozinha do que nunca.


PS.: Família, sem preocupações, eu só estou um pouco cansada de tudo hoje, mas tenho certeza que vai passar. Eu só fiz esse post porque precisava desabafar de alguma forma.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre preconceitos

Considero totalmente adequado estabelecer uma relação entre o nazismo e os crimes homofóbicos que infelizmente continuam ocorrendo o tempo inteiro, o que deixa claro a minha visão radical sobre o assunto. A liberdade de credo, a liberdade sexual e a liberdade de expressão do indivíduo devem ser respeitadas acima de qualquer coisa, mas não é isso que acontece no mundo, de forma geral.



Dentro do contexto em que vivemos - em sociedade, eu digo -, precisamos estabelecer limites entre o nosso próprio direito à todas as liberdades e o direito do outro. Não podemos simplesmente nos manifestar de maneira ofensiva à outros indivíduos, tentando impor nosso modo de pensar sem pensar no resto. Todos têm o direito de ser contra determinada religião, por exemplo, mas ao manifestarmos nossas opiniões não podemos invadir o direito daqueles que crêem na tal religião e assim deve ser para qualquer outro tipo de preferência pessoal.


É inaceitável que nos dias atuais ainda tenhamos números tão altos de assassinatos e crimes movidos por preconceito e, agora, me refiro ainda mais especificamente aos crimes homofóbicos, pois este é um assunto que têm sido discutido nos últimos dias.


Não penso que todos sejam obrigados a entender as diversas opções sexuais, mas acho que todos devem saber aceitar e respeitar a diferença. O preconceito, seja ele qual for, é totalmente inaceitável. Num país com tanta diversidade étnica, religiosa e cultural como o Brasil, me choca muito ainda haver tanto preconceito, esse preconceito nojento enraizado nas nossas cabeças - sim, coloco esse plural aqui pra deixar claro que eu também posso ter meus preconceitos, por mais que seja totalmente contra isso e deteste -, que vai desde o preconceito racial, sexual, religioso e social até preconceitos que nem pensamos que existem (por exemplo o preconceito contra pessoas muito magras, que eu posso afirmar que existe SIM).


Mas o mais assustador de tudo é pensar que tem pessoas que agridem outras pessoas em função desse preconceito. Por mais que eu ache asqueroso e queira xingar um homofóbico, eu nunca vou fazer isso, nunca vou agredir fisicamente alguém só porque esta pessoa pensa de maneira diferente da minha ou vive de forma contrária às minhas convicções pessoais ou religiosas. Saber que homossexuais são agredidos e assassinados diariamente apenas por serem homossexuais, sem terem nem ao menos provocado alguma coisa, é totalmente assustador.


Pior do que isso, é ver que quando finalmente tomam uma atitude minimamente decente e tentam criminalizar oficialmente a homofobia, aparece alguém contrário a isso. Como alguém consegue se dizer claramente contra a Lei da Homofobia e ainda se orgulhar disso? E dizer que essa lei vai contra a liberdade de expressão? CONTRA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO? Desculpa, mas que liberdade é essa? De poder xingar gays na rua, chutá-los ou coisa pior? ISSO É LIBERDADE DE EXPRESSÃO? Ensinar nas aulas de religião que é pecado e que homossexuais são uma aberração... isso é liberdade de expressão?


Ninguém é obrigado a ser a favor da homossexualidade, mas todos precisam saber respeitar isso. É um absurdo o que vêm acontecendo e é um absurdo maior ainda a existência de pessoas a favor da homofobia ou do preconceito racial ou de qualquer outro.


Cada pessoa tem o direito de viver do jeito que lhe convém, de acreditar no que quiser e de expor suas opiniões, o que não pode é achar que a sua opinião é melhor do que as demais e que por isso você pode desrespeitar a opinião alheia.

sábado, 13 de novembro de 2010

Você tem alfinete?

Texto publicado na última edição da Revista Oriente. Resolvi postá-lo aqui (com todos os créditos à revista e à autora, claro!) porque me diverti muito com ele, achei muito real e dei bastante risada. Pra quem não dança e não passou por isso, tentem imaginar a situação! hahahaha


Se você nasceu, assim como eu, nos anos 80, teve a grande oportunidade (apesar de nenhuma lembrança) de usar fraldas de pano, presas com alfinetes. Alfinetes pratas, douradinhos, com cabeças coloridas ou de plástico. Alguns com formatos divertidos como joaninhas, passarinhos, etc. Muito conveniente para nós, bebês, mas acredito que muitas mães alfinetaram seus preciosos dedinhos durante as trocas de fralda. Com o passar dos anos, as fraldas descartáveis ficaram mais populares e baratas, o que deu fim (parcialmente) às fraldinhas com alfinetes.
E como aqui na Terra se faz e se paga, uma hora sempre chega o TROCO! Você cresceu “virou mocinha” (quem viveu no interior, conhece bem esta expressão, a de “virar mocinha”), e começou a dançar! Na sua primeira apresentação, a roupa foi comprada e/ou emprestada, toda arrumadinha, limpinha! Você foi prová-la e sentiu-se uma belezura! Chegou então o dia do show! E vem alguém e te diz: “você já colocou alfinete?” e você faz cara de paisagem (sim, porque a gente não assusta com essa pergunta, a gente acha que foi engano... Por isso a cara de paisagem!).
“SIM, VOCÊ PRECISA COLOCAR ALFINETE PARA SEGURAR FIRME O CINTURÃO NA SAIA, CASO CONTRÁRIO, O CINTO SAI GIRANDO PARA UM LADO E VOCÊ PARA OUTRO!”
A cara de paisagem se torna de espanto e você, rapidamente, aplica dois alfinetes na parte interna do figurino, um na frente e outro atrás. Com o tempo, você aprimora os movimentos, a força física, e vai aumentando o número de alfinetes no cinturão: adiciona um a mais, em cada lateral do cinto, para que ele não levante voo durante as batidas laterais. A esta altura, você e os alfinetes já estão muito, mas muito íntimos.
Quando a apresentação se torna um show inteiro e você precisa manter o figurino em ordem e seguro por 60 minutos, o alfinete é promovido! Ele não só atua no cinturão, mas também reforçando o fecho da parte de cima do figurino, no busto.
Nesta fase do relacionamento, eles (os alfinetes) já possuem caixinha própria, somam um total de 20 (entre grandes e pequenos), e você compreende a importância da segurança numa vida a dois! Ele passa a ser indispensável e seus figurinos ficam visivelmente esburacados.
Os dedos? Ficam alfinetados!
São casos de distração, nervosismo, pressa ou simplesmente acaso! Quando você menos espera o dedo está com uma bolinha de sangue. Você chupa o sangue aparente (e agora, talvez lembre-se da mamãe), coloca um band-aid (ou não) e entra no palco feliz e contente!
O que é uma bolinha de sangue perto do “showzão” que você está prestes a fazer?


Escrito por Esmeralda na Revista Oriente.

http://www.orienteencantoemagia.com.br

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Halloween

Era halloween alguns muitos anos atrás e eu estava em casa recebendo algumas amigas pra uma festa temática. Ficamos horas nos vestindo, passando maquiagem, batom preto, lápis escuro e tudo a que tínhamos direito no quarto... Se não me engano até saímos para pedir alguns doces na rua, sem muito sucesso.

Eu tinha feito vários lanches e minhas amigas também levaram algumas coisas... Tinha poncho, tinha brownie com açúcar verde em cima, pão de forma cortado em formato de fantasma... Num determinado momento, alguém tocou a campainha e eu fui atender. Quando cheguei ao portão, levei um susto.

Eu morava num sobrado e o portão da garagem era o portão principal, automático (que já estava meio velho), que balançava só de encostar. Quando cheguei na garagem, tinha um vampiro enorme, com cabelos grisalhos compridos, sangue escorrendo pela boca, urrando e chacoalhando o portão querendo entrar. Eu juro que quase tive um troço! Entrei em pânico e fui me esconder no banheiro do quarto da empregada, lá nos fuuuundos da casa. Todas as minhas amigas foram atrás, também com medo, e ainda me lembro de uma retardadária que estava surtando do lado de fora quando todas já estávamos trancadas...
Eu sabia que era o meu pai, mas isso não diminuía o meu medo. Ele continuava atuando incrivelmente bem e eu não sei como foi que nos tiraram daquele banheiro, eu só me lembro de implorar pra minha mãe pedir para ele parar até que ele parou.
A fantasia era muito boa e meu pai é um homem alto e cabeludo, então a impressão era muito mais forte. Ele tinha feito maquiagem com um profissional e tinha comprado dentes afiados que pareciam dentes reais, não eram como essas dentaduras de plástico que entregam em festa infantil. Além disso tinha o sangue, que vinha numa bisnaga e ele espirrava na boca pra parecer que estava escorrendo... Realmente, estava medonho.

Agora não sei onde estão as fotos, mas assim que eu achar vou colocá-las aqui. Apesar de ser uma lembrança de criança, eu sei que ele realmente estava medonho. Mas no fim foi divertido e a história ficou marcada, aposto que ninguém que estava lá esqueceu disso até hoje...